11 de Julho
Oi Léo
acordei hoje de madrugada com um telefonema de Cris, quando atendi, do outro lado ela não falou nada. Eu também não falei nada, ela esperava que eu falasse, pois fui eu quem ligou várias vezes pra ela. Não sei o que deu em mim. Fiquei sem coragem, sem forças, covarde. Só o que escutei foi um choro baixinho do outro lado da linha. Quando abri a boca pra tentar dizer alguma coisa, ela desligou. Não durou nem um minuto. Eu poderia mentir pra vc e dizer que eu estava sonolento e por esse motivo ela me pegou despercebido. Mas não, eu não estava. Passava das três e eu não tinha pregado o olho. Minha visão estava pregada na tela do celular, o meu dedo estava no botão era só apertar que discava para ela. Na hora que tocou, tive até um susto, fiquei paralisado. Fiquei pensando em que palavras dizer: o que eu ia fazer daqui pra frente. Ela esperou uma eternidade...
Até tentei retornar mas tava desligado. Só me restou tentar dormir, virei prum lado, virei prum lado e não consegui. E não sei se por causa do meu barulho no quarto ou por instinto mesmo, que minha mãe bateu na porta e me perguntou se eu tava bem. Minha cara tava toda vermelha de tanto chorar. Não tive como negar. Tinha que falar alguma coisa pra ela. Falei de Cris, de quando conheci ela, tudo que eu já te disse, falei que fiquei com ela, falei que transei com ela, falei que fiquei amigo de Naldo, tudo. Menos o mais importante da gravidez.
Era pedir demais. Eu não queria matar minha mãe do coração. Queria que vc visse a cara dela.
Acordei agora e ela não está.
Queria conversar com ela, talvez contar tudo de vez. Acordei pronto pra decidir. Não quero esconder nada, não vou esconder nada. Resolvi não me esconder. Tou saindo agora mesmo pra falar com Naldo.
Beijo, e me deseje boa sorte.
Ti.
PS: e não me chame de Marcão.