23 de Abril

Oi, primão

Desculpe o sumiço. Sei que fica preocupado, mas andei estudando bastante nesse início de ano letivo. Não sei se v. vai acreditar nessa desculpa, que é esfarrapada. O que aconteceu mesmo é que v. tinha razão. Detesto reconhecer isso, mas o Samuel foi a maior roubada. Acredita que me deu o toco, assim, sem mais nem menos? A gente tinha ficado umas três vezes, mas no dia da festa de aniversário da Carmen, minha colega de colégio, ele mal me olhou. Quase morri de vergonha, paguei o maior mico, pois várias meninas assistiram à cena. Dureza, né? Ele não me deu confiança e logo estava de mãos dados com a Elisa, uma menina feia de dar dó. Não sei o que ele vê nela.

E o pior v. não sabe: no meio da festa, quando fui pegar um refri, ele estava num grupinho, gabando a pegada da Elisa e dizendo que nunca conheceu menina igual. V. entende , não é? Sua prima foi posta de escanteio mesmo.

Passei uns dois dias sem querer comer, com um bolo na garganta. Pensei que o Samu fosse outra pessoa, me enganei totalmente com ele. Esse caso é sinistro, não é? Agora pelo menos estou mais calma, mas não quero ficar com ninguém tão cedo. Preciso me recuperar desse baque, primeiro.

Dê notícias. Não fique esperando a chegada dos meus e-mails, escreva mesmo assim, ando esquisita mesmo. Beijos, da prima Leo.